A+ A- Acessibilidade
Buscar

Monitoramento da saúde por tecnologias vestíveis é tema do Podcast Canaltech

Por Juliana Vicentini

Pesquisador do Viva Bem discute como dispositivos inteligentes se tornaram ferramentas essenciais para medir a qualidade de vida

Relógios, anéis, pulseiras, óculos, chapéus e roupas são mais do que um item fashionista. Com a ajuda da Inteligência Artificial (IA), esses acessórios se tornam tecnologias vestíveis, que são dispositivos utilizados junto ao corpo para monitorar o bem-estar físico das pessoas de maneira constante e em tempo real.

Esse foi o tema do podcast do Canaltech, que contou com a participação do Marco Carlos Uchida, professor associado, e especialista em atividade física e tecnologia aplicada à saúde. Ele é coordenador do Laboratório de Cinesiologia Aplicada na Faculdade de Educação Física da Unicamp e integra o Viva Bem,  hub de IA voltado ao bem-estar, vinculado ao Recod.ai.

A imagem mostra Prof. Marco Uchida, homem branco asiático
Marco Uchida, professor da Unicamp e especialista em atividade física e tecnologia (Foto: arquivo pessoal)

Por conta da praticidade, as tecnologias vestíveis já fazem parte da rotina de muita gente. Elas captam dados de condições de saúde (frequência cardíaca e oxigenação), comportamento ativo ou não (contagem de passos e gasto calórico), sono (horas dormidas e qualidade), desempenho durante a prática de exercício físico (distância percorrida, velocidade e carga de treino) e detecção de doenças (como Parkinson).

O monitoramento desses dados ocorre de maneira personalizada. Isso permite que cada indivíduo acompanhe seu desempenho físico continuamente e possa ajustar a sua rotina, seja para evitar o sedentarismo ao longo do dia, melhorar a sua performance durante a atividade física e prevenir lesões.

O funcionamento das tecnologias vestíveis ocorre através de sensores que captam sinais biométricos e de movimento que são processados por softwares e algoritmos de IA. Na sequência, é realizada uma correlação dos dados com equipamentos diversos, como polissonógrafo, no caso de avaliação para indicadores de sono, por exemplo.

Dispositivos móveis ajudam em tomadas de decisão da saúde, mas orientações médicas devem ser prioridade (Foto: Viva Bem).

Embora as tecnologias vestíveis captem uma enorme quantidade de dados, elas não substituem uma supervisão humana. É preciso ter um acompanhamento profissional porque os dispositivos baseiam-se em métricas e não registram níveis de dor, disposição física e humor. O ideal é que a identificação de padrões seja compartilhada com uma equipe multidisciplinar.

“Não é só o praticante entender o que o relógio informa, mas esse dado que o relógio informa ser comunicado aos profissionais com quem ele trabalha, seja o profissional de educação física, o fisioterapeuta, o nutricionista, o médico do esporte muitas vezes, ou o cardiologista, o endócrino, entendeu? O psicólogo às vezes também”, explicou Uchida.

Para aprimorar smartwatches, por exemplo, o Viva Bem desenvolveu Viva Sensing, que combina acelerômetro, giroscópio e monitor de frequência cardíaca para coletar dados biométricos com potencial de mesma precisão quanto de equipamentos médicos. Assim, aplicativos de saúde baseados em IA poderão oferecer diagnósticos e tratamentos com a mesma confiabilidade de dispositivos de ponta. Em 2025, o recurso foi vencedor do Prêmio Inventores 2025, realizado pela Inova – Agência de Inovação da Unicamp, na categoria Propriedade Intelectual Licenciada.

Ouça a íntegra do podcast a seguir: